
As relações de defesa entre Índia e Brasil devem ganhar um novo impulso com a visita do Ministro da Defesa brasileiro à Índia em outubro. No centro das negociações estão dois projetos estratégicos: o cargueiro militar C-390 Millennium, da Embraer, e o sistema de mísseis superfície-ar Akash, desenvolvido pela Índia.
A visita ocorre em um contexto de reconfiguração geopolítica global e crescente protecionismo, em que Nova Délhi busca diversificar suas importações de defesa e fortalecer alianças com países do Sul Global. A agenda bilateral deve refletir essa mudança de postura, com acordos que podem redefinir a cooperação aeroespacial entre as duas nações.

C-390 Millennium: o cavalo de batalha em negociação
Embraer KC-390
A Embraer está na disputa pelo programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana (IAF), oferecendo o C-390 Millennium — um avião multimissão com alta capacidade de carga e versatilidade. A fabricante brasileira já respondeu ao pedido de informações (RFI) da IAF, propondo um contrato que pode envolver até 80 aeronaves, cada uma avaliada em cerca de US$ 150 milhões. Caso seja fechado, será um dos maiores negócios internacionais da Embraer na área de defesa.
Para reforçar sua presença na Índia, a Embraer abriu recentemente uma subsidiária própria em AeroCity, Nova Délhi, com foco em engenharia, compras e mobilidade aérea urbana — em linha com o programa “Make in India”.
Além disso, um memorando de entendimento (MoU) assinado com a Mahindra Defence Systems em 2024 prevê o desenvolvimento conjunto e a produção local do C-390, o que pode ser um diferencial competitivo na licitação indiana.

Míssil Akash ainda no radar brasileiro

Por outro lado, o sistema de mísseis Akash, de médio alcance e desenvolvido pela DRDO indiana, continua sendo considerado pelo Exército Brasileiro dentro de seu programa de defesa aérea de média e alta altitude. O Akash compete com o sistema chinês Sky Dragon 50 e, apesar de atrasos no processo de aquisição, fontes brasileiras confirmam que o míssil indiano continua “tecnicamente viável” e “em avaliação”.
Autoridades dos dois países, no entanto, destacam que os processos envolvendo o Akash e o C-390 são independentes, e que as dificuldades orçamentárias enfrentadas por Brasília não devem afetar a análise da proposta da Embraer por parte da Índia.

Perspectivas para 2026 e além
A visita do Ministro da Defesa em outubro será um passo preparatório para a visita de Estado do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, prevista para 2026. Ainda este ano, o vice-presidente Geraldo Alckmin também deverá visitar Nova Délhi no âmbito do Mecanismo de Monitoramento Comercial, discutindo parcerias em defesa, energia, minerais estratégicos e inclusão digital.
Empresas brasileiras como Taurus Armas S.A. e CBC já atuam no mercado indiano por meio de joint ventures com companhias locais como SSS Defence e Jindal Defence, reforçando o eixo de cooperação industrial em defesa.
Expansão para aviação civil e naval
A parceria bilateral também se estende à aviação comercial, com aeronaves da família E-Jet da Embraer já operando na Índia, contribuindo para a conectividade regional. No campo naval, Brasil e Índia exploram colaborações em plataformas marítimas e programas como o “Scorpion Club”, voltado para treinamento conjunto em submarinos da classe Scorpène.
A visita de outubro pode marcar um ponto de inflexão nas relações indo-brasileiras, com potencial para consolidar um novo capítulo na cooperação entre democracias do Sul Global na área de defesa e tecnologia.
FONTE https://www.forte.jor.br/2025/08/08/india-e-brasil-avancam-cooperacao-em-defesa-com-foco-no-missil-akash-e-no-cargueiro-c-390/#goog_rewarded




