
Na China, uma nova ocupação emergiu nas movimentadas cidades verticais: a entrega de refeições nos andares mais altos dos arranha-céus. Este trabalho, embora não muito lucrativo, oferece uma renda extra para muitos aposentados e jovens. À medida que as cidades crescem para o céu, também crescem as oportunidades de trabalho informais, onde serviços essenciais como a entrega de alimentos devem se adaptar aos desafios arquitetônicos.
Em Shenzhen, por exemplo, uma informal rede de entregadores, referidos como “corredores da última milha”, facilita a entrega de refeições nos prédios mais altos. Quando os entregadores oficiais enfrentam longas esperas nos elevadores, esses auxiliares informais assumem, garantindo que a comida chegue ao destino final de maneira oportuna. Eles recebem dos entregadores uma média de 2 Yuan (cerca de 24 centavos) por entrega, um pequeno valor que, ao longo do dia, pode somar uma quantia razoável, ainda que modesta.

Qual é o perfil desses entregadores informais?
Majoritariamente compostos por jovens e aposentados, esses entregadores informais encontram nessa atividade uma oportunidade de complementação de renda. Sem contratos formais ou compromissos trabalhistas, a função se baseia na disponibilidade e disposição momentânea das pessoas. O rendimento diário costuma girar em torno de 100 Yuan, o que representa cerca de 12 euros, uma cifra bastante inferior ao estipulado pelo salário mínimo em cidades como Xangai e Pequim.

Como funciona o sistema de entrega nos arranha-céus de Shenzhen?
Nos altos arranha-céus, os entregadores oficiais fazem parceria com essas pessoas, repassando-lhes as encomendas para que completem o percurso até o nível desejado. O sistema não é propriamente planejado ou regulamentado, mas adaptado à demanda por eficiência em meio à pressa do cotidiano urbano. Com o aumento de prédios e os desafios logísticos que eles representam, essa interação entre entregadores oficiais e informais revela-se uma solução improvisada e eficiente.

Que impactos sociais e econômicos esses trabalhos ocasionam?
A economia informal, exemplificada por esses entregadores, representa uma parte significativa da vida urbana em cidades chinesas em rápido crescimento. Enquanto proporciona uma renda adicional a muitos, também levanta preocupações quanto à proteção trabalhista e segurança, especialmente quando indivíduos não qualificados ou menores de idade se envolvem nesse serviço. A prática acabou ganhando atenção da mídia, e recentemente, vídeos de crianças ajudando nessas entregas suscitaram debates sobre trabalho infantil e suas implicações sociais.
Este fenômeno de adaptação social e econômica nos arranha-céus da China não só exemplifica como as cidades modernas moldam novos tipos de empregos, mas também destaca questões importantes sobre segurança, regulamentação e dignidade no trabalho. A multiplicalidade de soluções criativas para desafios urbanos também reflete a resiliência e adaptabilidade das populações frente às transformações globais.
FONTE https://oantagonista.com.br/ladooa/entretenimento/na-china-existem-arranha-ceus-tao-altos-que-surgiu-uma-nova-profissao-pessoas-que-levam-refeicoes-aos-andares-superiores/




